quinta-feira, 30 de junho de 2011

16. Leonardo Nunes - Um Contador

Um contador


Nome: Rogério Tavares. Profissão: contador da Boloa Tec, uma dessas empresas de médio empreendedorismo. Tem uma vida razoavelmente boa, normal, é casado, tem dois filhos, um menino e uma menina.
Tudo estava normal naquela quinta-feira, Rogério estava voltando do trabalho e como de costume pegou o trem das 19 horas e sentou-se na última fileira, no banco próximo à janela. Estava chovendo, ele começou então a pensar naquelas coisas que todo mundo pensa quando está chovendo, quando se está num elevador ou numa sala de espera. Pensou no trabalho, lembrou que estava há tempos querendo pedir um aumento, pensou também em sua família.
Após divagar um pouco, olhou ao seu redor para tentar puxar assunto com alguém, aquelas conversinhas paralelas sobre o tempo. Porém não havia ninguém muito p´roximo, o mais perto estava a duas fileiras à frente e estava dormindo. Olhou para a janela e de relance viu um mendigo tentando escapar da chuva, se cobrindo com jornais e papelão. O trem sempre passava por cima de uma pequena favela, o que provocava muita tristeza no peito desse contador, que sentia muita pena daquela gente que morava em casas tão simples de beira de calçada, com uma fachada dizendo que é um lar.
“Gente nasceu para brilhar”, pensou ele, não para morrer de fome... É como se os homens da era do paleolítico ainda habitassem em nossas cidades, pois os homens das cavernas estão por aí catando lixo para saciar a fome.
O trem chegou à estação em que Rogerio deveria descer, agora o trajeto até sua casa seria a pé. Então, quando saia da estação, viu o que pareceu ser um animal catando comida entre os detritos. Olhando mais atentamente, viu que não era um cão, não era um gato, não era um rato, não era um bicho... “Vida injusta”, pensou o contador. 

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