quinta-feira, 30 de junho de 2011

12. Gregory Marques - Vida passageira

Vida passageira

            
            Como em toda cidadezinha pequena, a humildade e a calma andam sempre lado a lado, fazendo assim com que aqueles acostumados ao sossego fiquem amedrontados com as barbaridades que tanto ouvem falar sobre a cidade grande.
            Um homem novo, de estatura média que nasceu e cresceu em Barrentino, cidadezinha ao norte do estado de São Paulo, assim como todos de lá, passava por certos tipos de dificuldades, por um acaso, eram financeiras, até porque dava pra contar nos dedos as pessoas das pequenas cidades que passavam por problemas de saúde, antigos dizem que o sossego fazia bem, talvez estivessem certos.
            Aos 26 anos de idade ele toma uma atitude, e com o dinheiro guardado com tanto esforço, consegue arrumar uma casinha – humilde mas em um bom bairro – em São Paulo, capital. Suas dificuldades, conforme o tempo, o deixaram ambicioso e ignorante, sua cabeça pensava apenas em crescer, um problema pelo qual muitos passam hoje. De alguma forma, tinha que arrumar dinheiro, então fez de seus dias uma extrema correria, largando currículos em todos os lugares.
            Assis Fernando, dono de uma grande empresa em São Paulo, tem uma ideia de passar nas residências para fazer um certo tipo de pesquisa, pois queria saber o índice de rejeição da população ao pedir um alimento, fingindo ser muito pobre.
            Depois de alguns dias com a pesquisa, o investidor passa por aquela casa, jardim meio descuidado, paredes sem reboco e resolve abordar o dono de forma diferente: vestido de mendingo, com roupas sujas, rasgadas e com o rosto muito envelhecido com artifícios de maquiagem. Bate então na porta do dono da casa. Esse abre a porta com cara de nojo, enquanto o investidor diz:
            - Com licença, o senhor teria algum alimento ou alguns trocados? Estou longe de casa e não tenho o que comer.
            Olhando dos pés à cabeça desse homem, o dono da casa retruca:
            - Saia daqui, cara, você está imundo, como tem coragem de me pedir dinheiro, se estivesse limpo poderia até te arranjar algo.
            O investidor, pasmo com tanta falta de humanidade, sai de lá. Muitos dias se passaram e esse dono da casa continuava esperando propostas de trabalho, respostas ao seu currículo. Ele recebe então uma ligação que dizia para ele se encaminhar para a Statecity, maior empresa de investimentos do estado de São Paulo.
            Ao chegar lá, depois de subir de elevador pela primeira vez em sua vida e enfrentar imensas salas de espera, ele se sentou e aguardou a pessoa que o entrevistaria.

.

Nenhum comentário:

Postar um comentário