No balanço do ônibus...
Há aquele casal de namorados, feliz, que não percebem de mais ninguém no local. Ao lado deles, um velhinho olha como quem lembra da juventude “perdida”. Logo em frente há um menino mal humorado, ouvindo seu mp3, fugindo de qualquer perturbação. E a criança que não para de chorar pela atenção da mãe.
A menina do banco de trás também ouve seu mp3, mais faz questão de exibir seu aparelho, obrigando todos os outros passageiros a ouvirem sua música também. A irmã prefere ler um livro durante a viagem. O trabalhador deseja apenas cochilar um pouco, chegar em casa, tomar banho, comer e dormir novamente.
Ao lado dele, uma estudante consulta compulsivamente seu relógio, preocupada com a hora, rezando para não se atrasar para a prova. Enquanto isso, o vendedor distribui balas de graça para todos.
A mãe berra com o filho que, em pé no banco, resolve por a cabeça para fora da janela; enquanto o senhor da face enrugada efetua movimentos contínuos com as mãos suadas, tentando resistir ao vício do cigarro. O menino tímido, com o rosto coberto de sardas, se esconde da mesma moça de pele morena e olhos negros de sempre, e permanece a admirá-la em silêncio.
Um grupo de jovens bêbados mexe com as pessoas da rua e batuca pelos lados do ônibus, totalmente fora de ritmo. A mocinha ao lado puxa seu espelho e retoca seu gloss enquanto percebe seu cabelo impecável totalmente amassado após um longo cochilo.
Fim de mais uma viagem, fim de mais uma reunião de conhecidos que não se conhecem. Amanhã, todos se encontrarão novamente.
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